@PHDTHESIS{ 2026:1626948040, title = {Para além dos muros do preconceito: a produção discursiva sobre pessoas soropositivas no processo de escolarização}, year = {2026}, url = "http://bdtd.unoeste.br:8080/jspui/handle/jspui/1762", abstract = "Esta tese insere-se no campo das Políticas Públicas em Educação, Processos Formativos e Diversidade, e problematiza o currículo escolar como espaço de produção e gestão das diferenças. A pesquisa investiga os regimes de verdade produzidos sobre os corpos soropositivos no processo de escolarização, tomando como foco as percepções sobre HIV e AIDS no contexto do Ensino Médio do Estado de São Paulo. O objetivo geral consistiu em analisar as vivências escolares de pessoas soropositivas e as percepções sobre HIV e AIDS na formação escolar das diferenças. Para isso, adotou-se uma metodologia mista, articulando procedimentos qualitativos e quantitativos, organizada em três estudos interdependentes, correspondentes aos objetivos específicos da pesquisa e compreendidos como partes de um mesmo percurso analítico. A base teórica fundamenta-se no pensamento foucaultiano e pós-estrutural, por possibilitar a problematização dos regimes de verdade, das relações de poder e dos processos de subjetivação implicados na produção dos discursos sobre HIV, AIDS e pessoas soropositivas. O primeiro estudo, de natureza documental e bibliográfica, analisou produções científicas e não científicas sobre HIV, AIDS e pessoas soropositivas, bem como documentos e diretrizes relacionados ao Ensino Médio no Estado de São Paulo, por meio da arqueologia foucaultiana. Os resultados evidenciaram que a história do HIV e da AIDS foi construída sob regimes de verdade marcados pelo estigma e pelo preconceito e que, no contexto escolar paulista contemporâneo, observam-se limitações no aparecimento do tema nos documentos e materiais utilizados pelas/os estudantes. Uma vez percebida tal limitação, buscou-se compreender a percepção das/os estudantes do Ensino Médio sobre o tema. Assim, no segundo estudo, de abordagem quantitativa e qualitativa, investigaram-se as percepções de estudantes por meio de um questionário on-line. Os dados revelaram percepções superficiais, confusas e pouco fundamentadas sobre HIV, AIDS e vivências soropositivas, indicando lacunas importantes nos processos formativos escolares. Com ambos os conjuntos de dados, interessou saber a partir das percepções das pessoas soropositivas, o papel da escola, tanto na prevenção ao HIV, quanto na compreensão do viver soropositivo. Nesse sentido, o terceiro estudo, de caráter qualitativo, analisou narrativas de quatro pessoas soropositivas egressas do Ensino Médio, obtidas por meio de entrevistas semiestruturadas, utilizando-se a técnica de amostragem em bola de neve. As análises indicaram que a escola não abordou de forma sistemática as temáticas relacionadas ao HIV e à AIDS, favorecendo processos de estigmatização, silenciamento e sofrimento, produzindo experiências de exclusão e de morte simbólica. Os três estudos, articulados, evidenciam que o currículo escolar opera como um dispositivo central na produção, na manutenção e, potencialmente, na transformação dos regimes de verdade sobre o viver soropositivo. Conclui-se que a escola, ao orientar-se pelo cuidado de si como estética da existência, pode contribuir para o rompimento com o preconceito, para o acolhimento das diferenças e para a construção de uma cultura do cuidado, na qual as pessoas soropositivas sejam reconhecidas como sujeitos de direitos, de saberes e de existência, para além dos muros do preconceito.", publisher = {Universidade do Oeste Paulista}, scholl = {Doutorado em Educação}, note = {Doutorado em Educação} }